Presunto a Monte

Outubro 28 2009

 

Pacheco Pereira afirmou, na sua última crónica da “Sábado”, que o referendo irlandês ao Tratado de Lisboa era um referendo ao qual “só se pode dizer que sim”.

 

O mesmo autor refere também que seriam feitos “quantos referendos fossem necessários até dizerem que sim”. Acaba a crónica dizendo que “este modo de entender a democracia é um símbolo da actual doença europeia”.

 

Pode ter alguma razão, sem dúvida. Mas o que o Prof. Pacheco Pereira não refere foi a campanha ampla e eficaz realizada pelos eurocépticos na altura do primeiro referendo. Esta campanha usou argumentos populistas, como defender que o Tratado de Lisboa representa a perda de autonomia da Irlanda nas suas decisões políticas. Afirmaram também que o tratado significava mais desemprego e a perda da identidade sociocultural da Irlanda. E assim comeram o populacho de uma vez só.

 

A Irlanda, sendo um país insular, está mais afastada da União Europeia tanto socialmente como politicamente. E os políticos irlandeses fora do governo não perderam a oportunidade de tentar obter algum lucro político à custa disso.

 

Não sou bruxo, muito menos politólogo, mas parece-me que é exactamente isso que o Prof. Pacheco Pereira está a fazer. Todos temos que puxar a brasa à nossa sardinha, não é?

publicado por Leandro às 22:52

O problema não é salvar Portugal, é salvarmo-nos de Portugal - Jorge de Sena
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