Presunto a Monte

Julho 07 2009

Lista de problemas do Parlamento:

1º Má educação

- Ao longo da vida escolar de todos os jovens passam todos pelo mesmo. Alunos falam entre si ao mesmo tempo que a professora durante a aula. Aquele burburinho irritante que existe em todas as salas de aulas normais. Os professores desesperam, pedem silêncio, exigem ordem para fazer o seu trabalho.

- Mas temos desculpa. Somos jovens. Somos estúpidos. Somos ingénuos, inexperientes, inconscientes, imaturos. Tudo o que nós sabemos é aquilo que nos é ensinado – no Parlamento.

- No nosso sagrado Parlamento cuja idade média dos seus participantes deve ser para cima de 50 anos. Aquelas peixarias que testemunhamos na RTP2 são vergonhosas. Deputados são constantemente interrompidos nas suas interpelações – quando são interpelações. Deputados do PS insultam deputados do PSD e vice-versa. Rangel insulta Sócrates. Sócrates insulta Rangel e Manuel Ferreira Leite. Jerónimo de Sousa insulta todos.  

2º Interpelações infundadas

- O Parlamento não tem como objectivo a cooperação democrática para a evolução socioeconómica de Portugal. Os deputados não debatem os problemas do país. Eles debatem os problemas dos partidos. Demasiado envolvidos no jogo político, cegos em poderes, direitos e estatísticas.

- Começa com Sócrates a mencionar uma estatística e dados que defendem o sucesso das “políticas sociais do PS”. Refere também que o PS é o governo que mais políticas sociais tem: para jovens, estudantes, idosos, reformados, empregados, desempregados.

- Rangel fala do défice, das PME’s, das obras públicas, do investimento estrangeiro e afins.

Jerónimo de Sousa fala da falhanço das políticas do PS e PSD, que são de direita. Fala também que ambos os partidos culpam-se mutuamente pelo falhanço do país há mais de 30 anos.

- Paulo Portas chama Sócrates de nomes mirabolantes. Diz ele que Sócrates é teimoso, megalomaníaco, um menino que faz asneiras e afins…

Enfim, quase nunca falam do mesmo assunto. Não tentam resolver os problemas do país, chegar a consensos. Só discutem e lutam para ver quem é que fica por cima.

3º Salvas de palmas

- Depois das interpelações fantásticas, seguem-se aquelas avalanches de palmas entusiásticas. Isto é o Parlamento, ou uma partida de futebol? Mais recentemente, uma tourada?

4º Camaradagem partidária

- As bancadas partidárias assemelham-se gangs, pequenos grupinhos de pressão cheios de príncipes e donzelas sensíveis. Depois de uma intervenção do chefe da bancada, os coleguinhas ao lado fazem questão de presentear-nos com brados como “Exactamente!” “Pois!” “Ora aí está!”. As duas grandes figuras neste campo são Diogo Feio (CDS) e Bernardino Soares(PCP).

5º Falta de atenção

- Enquanto alguém fala Sócrates mexe no telemóvel, fala ao ouvido do Ministro das Finanças, anota qualquer coisa. Quem mais sofre com isso é a Heloísa Apolónia (PEV).

6º Sorrisos irónicos

- Enquanto alguém fala, a pessoa a quem está a ser direccionado o discurso sorri. Sócrates é o mestre na arte do sorriso dengoso. É um charme, um ligeiro gracejo que ridiculariza tudo e todos.

7º Excesso de SoundBytes

- Figuras políticas proeminentes do Parlamento são blindados por assessorias de imprensa e estratégias de relações públicas. Procuram falar frases icónicas para criarem capas de jornais e aparecerem na abertura do telejornal. Nessas frases usam palavras incomuns e muitas vezes quase calão. Francisco Louçã é o “Big Cheese” neste meio.   

8º Introdução dos discursos

- “Senhor Presidente, Senhor Primeiro-Ministro, Senhores Deputados…”

Começam tão educadinhos para depois acabarem nas gargantas uns dos outros.

9º Intervenções do Presidente do Parlamento

- Não são um problema, mas irritam! “Pode terminar, Senhor Primeiro-Ministro.”

10º Estatísticas mirabolantes

José Sócrates apresenta uma estatística revolucionária:
- “Está aqui, neste documento. Se o Sr. Deputado tivesse lido veria que a medida X tirou Y idosos da pobreza”
E Paulo Rangel refuta:
- O Sr. Primeiro-ministro só fala daquilo que lhe é conveniente. E os X portugueses que não têm acesso ao benefício Y?”

 

Este post não foi bem escrito. Eu ia desenvolvê-lo melhor. Mas, depois apareceu-me a imagem do Ministro da Economia, Manuel Pinho a fazer tristes e trágicas figuras. Nesse momento, eu perdi a esperança. Depois Manuel Pinho demitiu-se. Sócrates aceitou. Eu morri. Esse momento foi o adeus definitivo a D. Sebastião.

É mais ridícula a demissão do Ministro da Economia do que o gesto infame feito no Parlamento. Que bando de Marias que são os nossos deputados. O nosso Parlamento são umas trincheiras, são um tasco gigante. Por inúmeras vezes são perceptíveis os insultos que os deputados proferem uns aos outros. Chamam-se X à mãe de deputado Y, mandam o Ministro X para o Y.

Junto com as outras falhas que eu apontei, o gesto do Ministro da Economia não é nada. O referido gesto ocorreu uma única vez sob ânimos exaltados e acusações grotescas.

Mas a selvajaria do Parlamento acontece em todos os debates, em directo.

 

publicado por Leandro às 15:15

O problema não é salvar Portugal, é salvarmo-nos de Portugal - Jorge de Sena
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